Saúde mental e qualidade de vida
- Isabella Vaini Alves

- 26 de jan. de 2019
- 4 min de leitura

Muito tem se falado sobre a Saúde Mental por esses dias devido a proposta da Campanha de Janeiro Branco, que tem visa alertar a população quanto ao cuidado com a Saúde Mental, essa campanha não é apenas para pessoas que possui algum tipo de transtorno mental, mas sim um alerta para o cuidado que deve ser feito durante a vida. O debate da campanha é baseado na frase "Quem cuida da mente, cuida da vida!". Com isso, resolvi escrever um pouco sobre a Saúde Mental e Qualidade de Vida, sobre como ela surgiu e apresentar maneiras de cuidado próprio.
De acordo com Martins (2005), Sócrates, entre 469-399 a.C., iniciou a ideia de qualidade de vida, ao acreditar que a felicidade ocorre como resultado de levar uma boa vida, quando se escolhe entre o que é bom e o que é ruim. Os filósofos pós-socráticos deram sequência em investigar como ter uma vida com qualidade. Para os filósofos, uma vida de qualidade era composta por, dominar os desejos, desempenhar as obrigações e aprender a pensar com clareza a respeito de si mesmo e de seu relacionamento com a comunidade, fundamentos da moderna psicologia de auto gerência.
O termo “qualidade de vida” foi utilizado pela primeira vez por Lydon Johnson, presidente dos EUA, em 1964, ao mencionar que “os objetivos não podem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas.” (CANAVARRO et al, 2010).
Alguns autores entendem a qualidade de vida como uma percepção subjetiva de satisfação ou felicidade, com a vida em domínios que são importantes para o indivíduo. (LEIDY, REVICKI E GENESTÉ, 1999).
De acordo com Paschoal (2000), O conceito de qualidade de vida varia de época para época e pode ser analisado por vários pontos de vista, depende da cultura do país, da classe social e, é subjetiva. Sendo assim um mesmo indivíduo pode ter mudanças no seu entendimento sobre o assunto. O que ontem era bom, hoje pode não ser, podendo também variar com o estado de espírito ou de humor.
Ao entender indivíduo como biopsicossocial, a OMS (Organização Mundial da Saúde), traz a saúde mental com base nessa construção do ser.
A saúde mental é definida como um estado de bem-estar que permite a cada um realizar seu potencial, enfrentar às dificuldades normais da vida, trabalhar com sucesso, de maneira produtiva e na medida de dar uma contribuição à comunidade. A OMS destaca à dimensão positiva da saúde mental: “A saúde é um estado de completo bem-estar psíquico, mental e social e não consiste somente em uma ausência de doença ou enfermidade” (OMS, 2001).
Com isso, verifica-se que a saúde mental está ligada a qualidade de vida e que as duas precisam caminhar juntas, a qualidade de vida está associada a vários aspectos que também estão na saúde mental, como: autoestima, bem estar pessoal, capacidade funcional, nível socioeconômico, estado emocional, interação social, atividade intelectual, autocuidado, suporte familiar, estado de saúde, valores culturais, éticos e religiosos, estilo de vida, satisfação com o emprego e/ou atividades diárias e o ambiente que vive. Por isso, pode variar de acordo com a época, cultura e ser subjetiva.
Cabe a cada pessoa descobrir o seu próprio caminho para ter uma boa qualidade de vida e cuidar da sua saúde mental, por meio daquilo que lhe faz bem, lhe traz satisfação em equilíbrio com as dificuldades encontradas no decorrer da vida.
A psicoterapia pode auxiliar o indivíduo de várias maneiras na construção da saúde mental, uma vez que, visa promover o bem estar por meio do autoconhecimento, desenvolvimento da autoestima e das características positivas da pessoa, promoção da criatividade e intuição, maneiras diferentes de enfrentar e resolver problemas, melhores condições de relacionamento, melhor aproveitamento para capacidade de trabalho e autoconfiança.
O paciente com a psicoterapia pode chegar ao entendimento de como ele se relaciona com o mundo, com as pessoas e consigo mesmo.
Pode-se melhorar a qualidade de vida com algumas práticas do dia a dia, tais como:
Cuidar do corpo, dormir bem, ter momentos de lazer, boa alimentação, exercícios físicos ter contato com a natureza, manter a mente ativa, trabalho, aprender a administrar as dificuldades, evitar o uso de álcool e outras drogas, meditação para melhorar o foco, compartilhar bons momentos com os amigos, dar risada, aprender a dizer não, sair da zona de conforto, fazer o que gosta, ter sonhos e objetivos, ter um hobby, fazer psicoterapia e quando necessário consultar com psiquiatra.
REFERÊNCIAS
Canavarro, M. ., Vaz Serra, A., Pereira, M. , Simões, M. R., Quartilho, M. J. , Rijo, D., Paredes, T. (2010). WHOQOL disponível para Portugal: desenvolvimento dos instrumentos de avaliação da qualidade de vida da OMS (WHOQOL 100 e WHOQOL-BREF). In M.C. Canavarro & A. Vaz Serra. Qualidade de vida e saúde: Uma abordagem na perspetiva da Organização Mundial de Saúde (pp. 171-190). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Leidy, N., Revicki, D., Genesté, B. (1999). Recommendations for evaluating the validity of quality of life claims for labeling and promotion. Value in health, 2,113-127.
MARTINS, Anderson A. M. (2005) Modelo de dimensões internas e externas para orientar as condições de autorização e de reconhecimento dos cursos superiores de tecnologia. Florianópolis, 2005, 192 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção, UFSC.
Organization Mondiale de la Santé. (2011). 10 faits sur la santé mentale. Recuperado em 30 de abril, 2011, do http://www.who.int/features/ factfiles/mental_health/fr/.
PASCHOAL, S.M.P. (2000) Qualidade de vida no idoso: elaboração de um instrumento que privilegia sua opinião. 2000 . Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Departamento de Práticas em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo.




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