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PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

  • Foto do escritor: Isabella Vaini Alves
    Isabella Vaini Alves
  • 21 de fev. de 2019
  • 4 min de leitura

Existe uma crença errônea de que falar sobre suicídio ou morte com uma pessoa com risco de suicídio pode levá-lo a cometer o ato. Na verdade, discutir tais assuntos com o paciente pode significar um importante alívio da angústia e até mesmo fazer mudá-lo de ideia, devolvendo-lhe a esperança, quando ele vê que alguém se importa com o seu sofrimento (KUTCHER, S.; CHEHIL, S. 2007).

O suicídio foi definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como “todo ato através do qual um indivíduo provoca uma lesão ou um dano a si mesmo, com um grau variável de intenção de morrer, qualquer que seja o grau de intenção letal ou de conhecimento móvel”. Sendo assim, o conceito de suicídio inclui desde ideação até os atos suicidas propriamente ditos. A Associação de Psiquiátrica Americana (APA) traz as possíveis complicações associadas ao suicídio.

O suicídio é a morte autoprovocada, com indícios implícitos ou explicitas que a pessoa deixa que tinha a intenção de morrer.

A ideação suicida está relacionada ao pensamento de intenção de cometer o suicídio. Esse pensamento tem graus de gravidade que podem surgir como uma simples vontade de desaparecer ou chegar à formulação de um plano de suicídio concreto.

A intenção suicida parte do desejo e expectativa de que um ato autodestrutivo provoque a morte.

O comportamento suicida é uma soma de ações feitas pelo indivíduo que tem o objetivo de acabar com a própria vida, por isso deve ser realizada uma avaliação sobre a letalidade do comportamento suicida verificando se são capazes de tirar a vida.

A tentativa de suicídio é um ato gera que consequências não fatais, que deixa indícios de que a pessoa tinha a intenção de morrer.

O risco de suicídio é quando existem fatores de risco que levam a possibilidade de um indivíduo cometer o ato.

Os números são alarmantes e a estimativa da epidemiologia do suicídio, segundo a OMS, indica que essa é décima sexta causa de morte, os estudos apontam que em 2030 será a décima segunda. Na carga global, ocupa o vigésimo lugar, em relação a faixa etária de 14 a 44 anos, chega a oitava posição em ambos os sexos.

São divididos em dois grupos de risco, os distais que são aqueles casos imutáveis ou dificilmente mutáveis e os proximais que são aqueles passíveis de intervenção.

Quando o risco é alto a pessoa deve ser colocada em um ambiente seguro e acolhedor, a pessoa não pode ser deixada sozinha. No local deve ser eliminado qualquer instrumento que pode ser usado em autolesão. O indivíduo deve ter apoio e ser levado para uma avaliação por uma equipe multidisciplinar, composta por médico psiquiatra, psicólogo e enfermeiro. A família e amigos devem ter apoio e suporte se necessário e a atenção deve ser continuada.

O uso de fármacos é indicado em casos que o indivíduo não apresenta melhoras sintomática e funcional depois das intervenções psicossociais que ocorrem inicialmente, os critérios classificatórios devem confirmar a presença de um transtorno mental com intensidade moderada ou grave de ansiedade, depressão ou somatização crônica. A abordagem medicamentosa proporciona um alívio para o sofrimento. A dosagem deve ser feita de acordo com a necessidade do paciente, sempre começando pela mais baixa e por curto espaço de tempo, os efeitos colaterais deve ser comunicado a pessoa.

O suicídio é entendido por Freud (1920), como uma saída para acabar com os conflitos psíquicos, é uma recusa à dor do existir e ao mal estar, está associada à pulsão de morte, ou seja, é uma tendência a morte que está em todo ser humano.

Para Soler (1999), o ato suicida seria como uma libertação das depressões, sendo que a depressão é uma resposta do sujeito frente a sua falta e um modo de não consentir a falta no outro. Diante da falta do objeto idealizado, o sujeito deprimido experimenta dor e tristeza, perda de interesse ou de capacidade, perda de vontade e de desejo.

Os cuidados psicológicos são fundamentais quando se trata de suicídio, o indivíduo precisa ser entendido e acolhido. A psicoterapia é um espaço para ajudar o paciente que apresenta tal demanda. O psicólogo irá auxiliar no percurso de explorar os seus pensamentos, sentimentos e afetos. O paciente pode comunicar aquilo que precisa.

Um indivíduo eminentemente suicida encontra-se em desespero e não consegue dar sentido ao seu sofrimento devido à falta de recursos cognitivos e afetivos e não consegue ter um plano de segurança sozinho de sua própria vida. Em algumas situações o acolhimento do desconforto emocional ajuda a buscar um modo de enfrentar ou ressignificar a angústia e a dor. A assistência prestada é dividida em três fazes de conduta de manejo clínico para lidar com crises suicidas: a primeira fase é explorar em profundidade o que motiva e verificar os fatores predisponentes e precipitantes que estão relacionados ao fenômeno; a segunda fase é compreender, confirmar e acolher, por meio da empatia entender que esta é a maneira que o paciente encontrou para resolver as problemáticas que o afligem; e a terceira fase é encaminhar para outros profissionais da equipe multidisciplinar e acompanhar nesse trajeto do tratamento.

Apesar desse tema ainda ser considerado tabu, precisa ser debatido entre a comunidade e os profissionais de saúde, como uma medida de prevenção e por se tratar de um problema de saúde pública, pois existem outras possibilidades no horizonte da vida do indivíduo que pensa no suicídio.


REFERÊNCIAS


Conselho Federal de Medicina (CFM); Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Suicídio: informando para prevenir. Brasília, 2014.


Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, Ministério da Saúde; Organização Pan-Americana de Saúde; Universidade Estadual de Campinas. Prevenção de suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Campinas (Brasil). Ministério da Saúde, 2006.


GONDIM, Denise Saleme Maciel. Disponível em: <http://www.fmc.br/wp-content/uploads/2016/04/Rev-Cient-FMC-2-2015-12-16-1.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2019.


KUTCHER, S. & CHEHIL, S. Manejo do risco de suicídio: Um manual para profissionais de saúde. São Paulo: Lundbeck Brasil Ltda, 2007.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Ação de saúde pública para a prevenção de suicídio: uma estrutura. Geneva, 2012.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um manual para médicos clínicos gerais. Genebra, 2000.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um manual para profissionais de saúde em atenção primária. Genebra, 2000.

 
 
 

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